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Dezembro/2007
     
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Nem um nem outro
O C30 é a aposta da Volvo para conquistar novos clientes. O Golf ainda é uma das grandes estrelas da VW. Mas, nestas versões, nenhum deles vale o investimento!

TEXTO Flavio R. Silveira FOTOS Roberto Assunção

VOLVO C30 2.4 R$ 118.500

VW GOLF GTI 6M R$ 118.550

Quando descobrimos que um Golf GTI e um Volvo C30 podiam sair pelo mesmo preço, logo pensamos neste comparativo. A primeira resposta de parte da redação foi: “Um Golf contra um Volvo? Vai ficar feio para a Volks!”. Mas a surpresa veio mais tarde, depois de avaliar os carros, quando nossas conclusões foram bem diferentes do que, em princípio, imaginávamos. Mas deixemos isso para depois. Primeiro, vamos aos carros...

De um lado temos o C30, com seu desenho ousado – a frente agressiva, a lateral com a bela linha de cintura, bem marcada, e a traseira... bem, a traseira com as lanternas inusitadas e o vidro sem moldura é discutível, e não agrada a todos. Do outro lado, temos o Golf, que foi atualizado este ano para a geração “quatro e meio”: ele ficou mais bonito, mas suas linhas não são nem de perto modernas como as do Volvo. Portanto, em termos de design, vitória do C30.

O Golf GTI avaliado aparece em sua versão top de linha, com câmbio Tiptronic e todos os opcionais a que tem direito (veja os itens de série e os preços dos opcionais na tabela de equipamentos). Nessa configuração, fica bem distante dos R$ 92.460 da versão “básica”, atingindo o exorbitante valor de R$ 118.550. Já o C30 é vendido em versões 2.0, 2.4i e T5 (2.5 turbo), com preços de R$ 89.933 a R$ 134.500.

Para enfrentar o Golf completíssimo, escolhemos o C30 2.4i, vendido em configuração única sem opcionais por R$ 118.500. Com os preços quase exatamente alinhados, o que se tem são propostas diferentes, mas ambas equivocadas, se considerarmos as outras opções disponíveis dos mesmos modelos.

As diferenças começam na concepção. O C30 é um duas portas com quatro lugares, pois tem dois bancos traseiros individuais (com um vão entre eles que permite o acesso, nem sempre conveniente, ao porta- malas). Em nome do design, embora ele tenha bons 2,64 m de entreeixos (12 cm a mais que o Golf) seu espaço interno é menor. No banco traseiro, uma pessoa de 1,75 m já raspa a cabeça no teto, e as (gigantescas) portas são extremamente pesadas, tornando o acesso ao carro bastante incômodo. Na nova versão 2008, pelo menos, os bancos dianteiros ganharam regulagem elétrica. Antes, ela era manual e sem “memória”. Ou seja, cada vez que se dobravam os bancos para os passageiros de trás entrarem era preciso regulá-los novamente.

Já o Golf, apesar de esportivo, tem quatro portas e ganha em comodidade, além de levar três pessoas no banco traseiro e ter um porta-malas consideravelmente maior. Em termos de equipamentos, ele não tem bancos elétricos nem ar-condicionado bizone como o Volvo, mas responde com sensor de chuva, espelho retrovisor interno fotocrômico (antiofuscamento), bancos com aquecimento e regulagem de altura dos (quatro) cintos de segurança. Este último um item que – pasmem! – não existe nesta versão do Volvo C30. Ou seja, em conforto, espaço e equipamentos, vitória para o Golf. E em acabamento, outra surpresa: o Volvo não é superior como se pode supor.

Em emoção e esportividade, o Golf novamente vence fácil o C30. Enquanto o VW tem 193 cv em um motor 1.8 Turbo de quatro cilindros e 20V, o 2.4 aspirado do Volvo tem 170 cv em um cinco cilindros com, também, 20V. Mais arisco, o GTI tem respostas mais rápidas, garantindo mais divertimento – vai de zero a 100 km/h em 8 segundos, enquanto o C30 precisa de 8,8 segundos para vencer a mesma prova de aceleração. Além disso, o modelo sueco atinge seu torque máximo (23,4 kgfm) a 4.400 rpm, enquanto no brasileiro os 25,5 kgfm são atingidos a baixas 1.950 rpm, o que garante melhor dirigibilidade em baixa.

Apesar de mais potente e turbinado, o ponto fraco do Golf é a velocidade máxima. São 209 km/h no limite da quinta marcha (uma sexta já resolveria o problema, além de diminuir o consumo na estrada), contra 215 km/h do concorrente. Na prática, até considerando os limites estabelecidos pela lei, a diferença não é tão relevante, mas vale lembrar que, equipado com o câmbio manual, o Volks atinge 231 km/h, além de acelerar até os 100 km/h em 7,5 segundos.

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