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Personalidade
Loucura sobre rodas Com mais de 30 anos de atividade nas pistas, Carlos Cunha coleciona muitas histórias e feitos impressionantes
TEXTO Rafael A. Freire FOTOS Roberto Assunção / Ag. IstoÉ
Com a grande bagagem que tem nas pistas, Carlos Cunha coleciona histórias. Boas ou ruins, sempre são lembradas de um modo divertido pelo piloto, que tem orgulho de ser protagonista da maioria delas. Entre os diversos episódios vividos nas pistas, um que marcou muito foi um acidente sofrido em 1998, quando ainda disputava o campeonato de Stock Car Light. Em um dos treinos que fazia para testar o carro, Cunha perdeu o freio no final da reta oposta do antigo circuito de Interlagos, quando já estava próximo dos 200 km/h. O acidente foi inevitável e seu carro capotou muitas vezes. "Enquanto eu capotava, vi um filme de minha vida. Me arrependi de muitas coisas e passei a pedir a Deus uma segunda chance", conta.
O carro foi parar em cima do muro da curva do lago. Por estar alto, acima do nível da pista, o piloto achou que havia morrido e que sua alma estava subindo aos céus. "Lembrei do filme Ghost naquela parte em que a alma do personagem começa a subir vendo seu corpo ficar na terra", diz. Ele só percebeu que ainda estava vivo depois de escutar a voz de outro piloto, que havia parado para socorrê-lo.
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"Fiquei muito ansioso para começar a apresentação. Não tive medo, mas um frio na barriga sempre dá"
Thiago Souza, de 26 anos, que era piloto de jet ski e fez sua estréia na equipe de Cunha em Interlagos, no dia em que a equipe de MOTOR SHOW realizava esta reportagem |
Outro momento de muito medo para Cunha foi quando bateu o recorde de salto. Toda a imprensa esperava ansiosa pelo feito do piloto, algumas emissoras transmitiam o evento ao vivo e as arquibancadas estavam lotadas de espectadores ansiosos para ver o salto, que deveria ser de 31,42 metros. Mas ventava muito, e com tais condições climáticas, o piloto estava prestes a desistir, pois o risco de o vento interferir no salto era muito grande. "Em um lapso de coragem, entrei no carro, acelerei e saltei. Quando cheguei no chão o pneu estourou, mas felizmente consegui controlar o veículo antes que ele batesse no muro. Foi um alvoroço. Todos vibraram muito. Mesmo assim prometi para mim mesmo que nunca mais iria saltar essa distância", conta.
Hoje um piloto já consolidado, Carlos Cunha encarou outro desafio ao se dispor a apresentar um programa de televisão aos sábados de manhã, onde passa dicas de direção e mostra tudo que acontece no mundo do automobilismo. Para ele, o segredo de ser um bom motorista é pilotar o carro, e não dirigi-lo. "Ao pilotar você estará sempre com as duas mãos no volante e atento a tudo que acontece ao seu redor, como se estivesse em uma corrida. A única diferença é que você não poderá correr", compara.
Difícil de acreditar, mas o acidente mais grave de sua vida foi fora do carro e bem longe da pista. Em 1993, durante um show de música, Carlos Cunha foi ao banheiro, escorregou, levou um tombo e fraturou o crânio. Depois de ficar duas semanas internado, perdeu quase todos os movimentos do corpo. "Tive que reaprender a andar. Pela medicina, eu nunca voltaria a fazer o que faço. Creio no poder de Deus e acredito que novamente ele me salvou. Se ainda estou na ativa, devo isso a Ele", relembra o piloto que, depois do acidente, já fez mais de mil apresentações. Além disso, no começo do ano passado Carlos Cunha teve um infarto. Novamente, os médicos disseram que ele não poderia voltar a fazer shows, mas mesmo assim hoje se sente apto e preparado para muitas outras apresentações, como essa que presenciamos e registramos no autódromo de Interlagos.
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| O entrosamento dos pilotos é nítido na manobra em que quatro carros derrapam ao mesmo tempo sem um tocar no outro. A seqüência abaixo mostra a manobra em que um carro derrapa na frente do outro, parando poucos centímetros antes de baterem os pára-choques |
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