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Mercado e serviços
Os desaparecidos Comprar um zero-quilômetro está cada dia mais difícil: a fila de espera pode chegar a até seis meses - e quem paga por isso é o consumidor
TEXTO Flávio R. Silveira ILUSTRAÇÃO Fernando Siniscalch

Cada vez mais consumidores saem das concessionárias frustrados: vêem novos carros serem lançados, nas revistas e na tevê, decidem dar uma conferida na concessionária mais próxima e saem com as mãos abanando, ou com um destino ingrato: pagar um valor de reserva, voltar para casa e esperar até seis meses pelo tão desejado zero-quilômetro.
O campeão das filas é o novo Ford Ka. Alguém tem visto propagandas do carro? Não, pois, com as vendas garantidas para clientes que toparam aguardar até seis meses pela entrega do modelo, a montadora suspendeu as ações publicitárias, já que anunciar algo que não se pode vender não faz sentido. Decidimos conferir a situação, e saímos em busca de um Ka.
Depois de ligar para diversas concessionárias em todo o País, a crise do carro zero foi comprovada: quase todas elas pediam uma reserva, que variava de R$ 500 a R$ 1.500, e nenhuma prometeu o carro para menos de 40 dias. “A Ford lançou vinte catálogos, mas só mandou dez para vendermos”, disse a vendedora da concessionária Sonnervig, em São Paulo. Outro vendedor, da Super Ford, chegou a dizer que a marca “suspendeu a venda do carro”, e que iria, após o preenchimento de uma intenção de compra (sem pagar sinal), nos colocar no cadastro da marca.
Na Mix, outra concessionária Ford, o recorde (ou a maior sinceridade do vendedor): “Em média, um Ka demora 180 dias. Tenho aconselhado fazer reserva em junho”. O mesmo vendedor tentou nos convencer a comprar outro modelo. “Não quer levar o Fiesta? Tenho para entregar em 30 dias.” A mesma situação se repetiu com as mais diversas marcas e modelos, principalmente – mas não só – com as principais novidades do mercado. Nas próximas páginas, veja alguns dos campeões das filas.
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