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Julho/2008
     
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A despedida do campeão
Após 29 anos, 76 vitórias e 12 títulos na Stock Car, Ingo Hoffmann deciciu se aposentar. Em entrevista exclusiva, conta sua história

TEXTO Rafael A. Freire FOTOS Cláudio Larangeira

Acima, Ingo Hoffmann a bordo de um Fórmula 3, em 1975. Abaixo, a primeira corrida de sua carreira, com um Fusca Divisão 1, em 1972, no Autódromo de Interlagos. Mais abaixo, já na F-1, ele pilota um Coopersucar seguido por seu companheiro de equipe, Emerson Fittipaldi

Alinhado no primeiro lugar do grid, em Interlagos, a poucos instantes da largada da etapa inicial do Campeonato de Stock Car 2008, Ingo Hoffmann surpreendeu a todos anunciando que aquela seria sua última temporada na categoria. Depois de 29 anos, 12 títulos e 76 vitórias, o maior vencedor da Stock Car resolveu abandonar o grid mais competitivo do Brasil. Apesar de ter sido uma surpresa no momento, até para aqueles que já sabiam, como a equipe e sua família, a decisão de Ingo já estava sendo amadurecida há pelo menos dois anos.

“Minha única preocupação era parar de maneira competitiva, ou melhor, tendo o respeito de meus concorrentes, por isso achei que na pole position seria uma boa ocasião”, conta o piloto, que decidiu tornar sua decisão pública quando já estava dentro do cockpit. Depois do anúncio, em rede nacional, chamou pelo rádio toda a equipe e agradeceu o apoio durante todos esses anos. “Foi um momento único, de muita emoção. Sou privilegiado por ter a oportunidade de estar me despedindo da Stock dessa maneira”, diz.

Mesmo com 55 anos de idade, o veterano ainda disputa de igual para a igual com a nova geração da categoria. Segundo ele, hoje muitos pilotos da velha guarda, que eram seus principais rivais nas pistas, estão sendo representados pelos filhos na Stock Car, como é o caso de Daniel Serra, filho de Chico Serra, Marcos Gomes e Pedro Gomes, filhos de Paulo Gomes, Thiago e Tarso Marques, filhos de Paulo de Tarso, e muitos outros. “De vez em quando, um ou outro vem comentar comigo alguma ultrapassagem ou manobra. Graças a Deus ninguém me chama de tio”, brinca.

Ingo iniciou sua carreira em 1972, aos 19 anos, em uma prova em Interlagos, correndo de Fusca Divisão 1 (sem preparação de motor). Por incrível que pareça, quatro anos depois ele já estava de novo no mesmo circuito, mas dessa vez a bordo de um Fórmula 1, o Coopersucar-Fittipaldi, equipe que pertencia aos irmãos Fittipaldi. Sua passagem pela Fórmula 1 foi curta e sem muitas oportunidades para mostrar seu talento. Mas ele obteve resultados mais expressivos mesmo na Fórmula 2, categoria em que, na época, os pilotos faziam tempos muito próximos aos da Fórmula 1. Lá, o piloto chegou a ganhar corridas na equipe oficial BMW, que tinha como chefe Ron Dennis, atual chefão da McLaren. Mas a carreira internacional não durou muito. Em 1979, Ingo voltou ao Brasil e, contratado pela GM, disputou o primeiro campeonato de Stock Car. “Em minha primeira corrida, tive eu mesmo que deitar com as costas no chão de terra para trocar os amortecedores do carro. Foi como começar minha carreira da estaca zero”, conta o piloto.

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