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Lançamento
Novo coração O esportivo mais tradicional do planeta faz 45 anos e ganha injeção direta e câmbio de dupla embreagem
TEXTO Flávio R. Silveira, de Stuttgart (Alemanha)
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Potência de 385 cv
0 a 100 km/h: 4,3 s
US$ 86.200 (nos EUA) |
Nascido em 1963, o Porsche 911 completa em setembro 45 anos, enquanto a marca que o produz acaba de fazer 60 anos. Um verdadeiro mito, que mantém até hoje as linhas básicas do modelo original. Uma façanha, resultado de um design cativante e bem resolvido. Mais uma vez, a mudança no estilo foi mínima - o 911/997 (classificação da marca para os modelos produzidos desde 2004; o 998 deve chegar em 2010), agora na segunda geração, ganhou faróis bixenônio direcionais, lanternas traseiras com LEDs, rodas e retrovisores novos... e só. As maiores novidades estão debaixo do capô traseiro, em duas siglas - DFI e PDK - que resumem o trabalho da engenharia no novo 911.
DFI é a abreviação (equivalente ao FSI dos modelos VW e Audi) para injeção direta de combustível: os injetores do coletor de admissão são substituídos por um sistema que "joga" o combustível diretamente nos cilindros, o que possibilita aumentar a taxa de compressão (antes de 11,3:1, agora de 12,5:1), gerando maior potência e torque e menor consumo e emissão.
No caso dos modelos que pilotamos, 911 Carrera (3.6) e 911 Carrera S (3.8), o ganho na potência foi de 20 cv no primeiro e 30 cv no segundo. Agora os dois motores geram, respectivamente, 345 cv (0-100 km/h em 4,5 segundos, máxima de 287 km/h), e 385 cv (4,3 segundos, 300 km/h). São um segundo mais rápidos que os antecessores na aceleração, com um consumo cerca de 13% menor.
Mas o mérito do melhor desempenho com menor consumo não vem só do motor: a segunda sigla, PDK, também ajuda. Em alemão, parece complicado (Porsche- Doppelkupplungsgetriebe), mas a tradução, "câmbio de dupla embreagem Porsche", explica: no lugar do Tiptronic, a caixa automática seqüencial da marca, agora o câmbio é manual automatizado, com duas embreagens. Uma engata as marchas pares e outra as ímpares (mais a ré). Enquanto uma marcha está em uso, a próxima está "pré-engatada", o que representa trocas mais rápidas. Semelhante ao câmbio DSG da Volks, oferecido aqui no Passat V6. O desperdício de energia também é menor, já que o conversor de torque, "vilão"das caixas automáticas, foi eliminado. E a sétima marcha funciona como "overdrive": só é ativada quando o pé direito do motorista fica "leve" e possibilita rodar a 100 km/h a apenas 1.750 rpm.
Depois da teoria, é hora de cair na estrada: na região de Stuttgart, Alemanha, aceleramos os dois cupês - e aproveitamos para dar uma volta no conversível. Em um percurso que intercalava Autobahns e estradas sinuosas, pudemos analisar todo o potencial dos carros. Os 40 cv de vantagem da versão S se fizeram notar, mas de maneira discreta - na comparação com o Carrera básico, ele é apenas 0,2 segundo mais rápido no zero a 100 km/h e 13 km/h mais veloz na máxima. No mais, são idênticos em dirigibilidade.
Com o câmbio PDK, as trocas de marchas (que podem ser também seqüenciais, por botões no volante - não tão confortáveis quanto as tradicionais borboletas) são muito rápidas, principalmente com o modo "Sport" ativado. As respostas do volante e acelerador ficam mais rápidas, a suspensão mais rígida e, a qualquer pisada no acelerador, ele reduz da sexta para a quarta marcha . No modo "Sport Plus", o 911 vira um carro de competição, com respostas tão violentas que chegam a incomodar, não troca as marchas em curvas e mantém a rotação do motor sempre "lá em cima".
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Na opção sport plus, ele vira um carro de competição! |
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| No pacote esportivo, além de levar o cronômetro (à esq.), para medir sua performance em circuitos, o piloto escolhe uma regulagem mais ou menos agressiva (acima) |
Ainda no pacote "Sport", opcional com o câmbio PDK, há o interessante "launch control". Basta pisar com o pé esquerdo no freio, acelerar com o direito até superar 6.500 rpm e então soltar o freio... ele sai violentamente, sem perder contato com o asfalto, e você gruda no banco. Sensacional! Mas, para quem prefere trocar as marchas de forma tradicional, há a opção da caixa manual de seis marchas. Sente-se mais o carro, mesmo com o desempenho inferior (por melhor que seja o piloto, não consegue trocas tão rápidas quanto o PDK) e a ausência do "launch control".
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