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Reportagens
Design
O criador do Miura Em pouco menos de um século de história, o estúdio Bertone já trabalhou para quase todas as grandes marcas do mund
Mino Pedrosa, de Turim (Itália)
Com a Segunda Guerra Mundial, como praticamente todos os construtores da época, Bertone passa a concentrar sua produção em veículos de uso militar e cria uma ambulância com a mecânica do Lancia Artena. Depois da guerra, a Europa vive anos de reconstrução e Nuccio Bertone (que passa a comandar a empresa no lugar de seu pai) dá vida à Lancia Aprilia Cabriolet e ao Fiat 1100 Stanguellini de competição, que antecipou algumas tendências estilísticas de décadas seguintes.
Nos anos 50, a parceria com a Alfa Romeo rende duas criações importantes: a Giulietta Sprint - apresentada no Salão de Turim de 1954 como série limitada - que teve 40 mil unidades produzidas, e o conceito BAT (Berlinetta Aerodinâmica Técnica), de 1953 que revolucionou o design e as pesquisas no campo da aerodinâmica e foi seguido pelos BAT 7 (1954), BAT 9 (1955) e BAT 11, de 2008. Suas pesquisas no campo da aerodinâmica culminam em 1965 com o Abarth 750 Record, sobre a base do Fiat 600 e testada na pista de alta velocidade de Monza, onde bateu recordes percorrendo 4.000 km a média de 156,360 km/h. Na época, Bertone propõe esportivos que ganharam fama, como a Giulietta Sprint Speciale, o Aston Martin DB2/4 e a Maserati 3500 GT.
Os anos 60 consagraram os GT italianos e Nuccio Bertone fez cinco conceitos do tema: o Alfa Romeo 2600 Sprint, em versões cupê e cabriolet, duas Ferrari 250 GT, o Aston Martin DB4 GT "Jet" e a Maserati 5000 GT. Na mesma época, a Bertone criou o Simca 1000 Coupé e a BMW 3200 CS, os Alfa Romeo Canguro e Giulia GT, herdeira da Giulietta Sprint, e o Fiat 850 Spider. O sucesso comercial deste último modelo possibilitou a Nuccio aumentar a produção da empresa para 120 unidades/ dia. A década foi fechada com o contrato firmado com Ferruccio Lamborghini, uma parceria que entrou para a história da indústria e que gerou frutos como o Miura, apresentado em 1966, o Marzal (1967) e Espada (1968).
Nos anos 70, a Bertone tem 1500 funcionários e uma sede com 267 mil m2. Lança o Stratos Zero, um modelo apresentado no Salão de Turim que virou referência de design automobilístico. Em 1972, o fundador da empresa, Giovanni Bertone, então com 88 anos, morre e, como uma espécie de homenagem ao seu pai, Nuccio cria o Maserati Kamshin e o X1/9. Na mesma época, nascem o Lamborghini Countach e o Dino Ferrari 308 GT4 (73), Audi 50 e Innocenti Mini 90 (74), Fiat 131 Abarth Rally (75) e o Alfa Navajo (76).
No início dos anos 80, o Ritmo Cabrio e o X1/9 passam a ser também comercializados pela Bertone, com sua marca. Em 1982, a empresa cria o Citroën BX e três anos mais tarde inicia a produção do Volvo 780, do qual Nuccio assina o projeto completo do ciclo produtivo. Em 1987, Bertone cria o Opel Astra Coupé e Cabriolet. No final da década, a empresa lança o Citroën XM. Em 1993, entram em produção os novos Astra Cabrio e Punto Cabrio. Um ano depois, o ZER de Nuccio bate o recorde de velocidade para carro elétrico. Em 1997, Nuccio morre e sua esposa, Lili Bertone, assume a empresa que, em 2008, chega à beira da falência.
O governo toma o controle do grupo para garantir o pagamento dos salários, até que a Carroceria Bertone é vendida para um grupo italiano. Lili fica à frente apenas da parte de design do grupo, a Stile Bertone, que não entrou na negociação. Entre as últimas criações da Bertone estão os novos Astra Coupé e Cabriolet, a moto BMW C1 e, em 2008, o BAT 11. Um momento de pouco brilho para uma empresa com tanta história.
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