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Dezembro/2009
     
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Esportivo
Prepare seu coração
Pilotamos na Itália, com exclusividade, dois Lamborghini com até 640 cv de potência que estão desembarcando no Brasil

TEXTO Josias Silveira, de Sant'Agata (Itália)

"Sua vez de dirigir": basta ouvir esta frase para minhas mãos começarem a suar. Talvez porque, pela primeira vez, vou dirigir um Lamborghini - ou ainda, talvez, porque um carro destes vai custar no Brasil algo entre R$ 1,5 e R$ 2,5 milhões. O destino é a fábrica da Lamborghini, em Sant'Agata Bolognese, em Bolonha, Itália: uma simpática vila perto de Modena, lar das arquirrivais Ferrari.

O famoso trio de superesportivos - Ferrari, Maserati e Lamborghini - há muitas décadas é orgulho da indústria italiana. Porém, nem sempre tiveram vida fácil, tanto que nenhuma delas conseguiu se manter independente. Ferrari e Maserati acabaram controladas pela Fiat, e a Lamborghini teve destino semelhante.

Após anos de controle pela americana Chrysler (de 1987 a 1994), desde 1999 a Lamborghini faz parte do grupo Volkswagen, sendo dirigida pela Audi, mais íntima dos esportivos. Nossa avaliação é feita exatamente nas estradinhas que ligam Sant'Agata a Modena. Não por acaso, uma Lamborghini ou Ferrari não chama muita atenção por aqui - elas fazem parte da paisagem.

Mas só por aqui, pois em qualquer outro lugar do mundo ver um carro desses é um verdadeiro acontecimento. O piloto de testes da "Lambo" para o Murciélago LP 640 (justo ele, o mais forte, com nada menos que 640 cv) na beira da estradinha, diz: "signore..." e aponta o volante. As portas são lindas, abrindo em direção ao céu, mas não é fácil entrar e sair da cabine. Entro desajeitado e escorrego em direção ao banco-concha, joelhos desviando do volante.

Com os 12 cilindros em V roncando em feroz marcha lenta, estranho colocar um cinto de apenas três pontos. Tudo indicava que lá existiria um de quatro pontos, como os de competição. No interior, salta aos olhos um painel cheio de instrumentos, em uma disposição própria de pistas de corrida.

O toque de classe, bem à italiana, fica para as grandes costuras em linha branca (mesma cor da carroceria) no couro negro. Mas, definitivamente, o que se impõe é o motor. Aliás, um carro destes é motor - todo o resto pode ser considerado apenas acessório.

Mesmo andando com o ar-condicionado ligado, o Murciélago está longe de ser confortável. O som metálico dos 640 cavalos do motor, com 6,5 litros, entra na cabine, já que seu posicionamento entreeixos o deixa exatamente nas costas dos ocupantes.

Tudo o que se escuta é aquele ruído de eixos rodando em meio a um coro de 12 cilindros descarregando gases num elaborado escape de aço inox. Não há conforto algum, apenas uma sinfonia de potência de uma máquina pronta para dar o bote e chegar aos 100 km/h em ínfimos 3,4 segundos.

Também não há alavanca de câmbio, só duas grandes borboletas atrás do volante, prontas para engatar as seis marchas do câmbio automatizado. Acelero com cuidado e o Murciélago sai sem trancos. Para mudar as marchas nem tiro o pé do acelerador, pois o sistema de corte do motor dá aquela embaralhada, retomando com um leve coice.

Com o pé mais no fundo, vira uma "patada" nas costas. O ruído nas trocas de marcha é puro charme de F-1: depois de uma leve embaralhada, a aceleração volta firme.

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