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Dezembro/2009
     
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Essa vaga é minha!
TEXTO Vagner Aquino FOTO: Roberto Assunção

“Durante muito tempo achei que esses benefícios fossem só para cadeirantes” Ana Clara Prates

Ela nem precisa pechinchar. Tem cerca de 30% de desconto na compra de um carro zero km. Não paga IPVA, está isenta do rodízio municipal de veículos e encontra vaga nos shoppings até na véspera de Natal. Mas acredite você não a invejaria por isso. É que, apesar de aparentemente normal, ela tem uma limitação física que a classifica como pessoa portadora de deficiência (PPD). “Nunca soube que a LER poderia me impossibilitar de dirigir carro manual e sem direção hidráulica. Mas as dores são insuportáveis. No dia seguinte, não consigo mexer o braço”, conta a estagiária Ana Clara Prates, que está em processo de obtenção da carteira especial de habilitação para PPD. “Sempre que estaciono nas vagas reservadas sou xingada”, afirma a aposentada Roseli Brunetta Del Sasso, que tem esclerose múltipla. “Os sintomas são invisíveis, mas essa patologia gera muita fadiga, por isso preciso de um veículo adaptado”, completa.

“Existem deficiências evidentes como amputações e paraplegia, mas pessoas que são visualmente ‘normais’ ainda podem ser consideradas deficientes, é o caso de quem sofreu AVC (acidente vascular cerebral), de quem tem hérnia cervical, lombar ou torácica, síndrome do manguito rotador (que causa ruptura ou secção do ligamento do ombro) ou lesão por esforços repetitivos. Tudo vai depender dos sintomas”, explica João Carlos de Castro Santos, que há 16 anos é médico perito de trânsito. O especialista conta que corriqueiramente mulheres mastectomizadas (que precisaram retirar parte das mamas por causa de um câncer) recorrem à avaliação. “Caso ela tenha sido submetida a uma mastectomia radical, com certeza, está apta a receber o benefício, pois a mudança repetitiva de marchas causaria inchaço e muita dor. O objetivo é dar conforto para a motorista; isso resulta em maior segurança no trânsito”, esclarece.

 

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