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Reportagens
Personagem
O contador de histórias Consagrado piloto da Willys nos anos 60, Bird Clemente, hoje com 72 anos de idade, continua ligado ao automobilismo e critica a falta de emoção da Fórmula 1
Texto Rafael A. Freire Fotos André Larangeira
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BIRD CLEMENTE
"Por mim, podiam tirar todas as asas dos F-1. Carro não tem asa, quem tem asa é avião"
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É difícil associar o arrojado piloto Bird Clemente, um dos principais corredores brasileiros entre as décadas de 50 e 70, ao tranquilo anfitrião que nos recebe em sua espaçosa casa na Granja Viana, em São Paulo. Mas não se engane: este senhor, de 72 anos, não tem nada de pacato.
O que ele gosta mesmo - e sempre gostou - é de velocidade. Por toda a residência é possível ver lembranças de seu passado vitorioso. Fotos, quadros com pinturas de seus carros e troféus fazem parte da decoração.
A carreira de Bird Clemente começou no final da década de 50. Sua primeira prova mais séria foi a Mil Milhas de Interlagos em 1958, em que dividiu o volante de um Fiat com Luís Pereira Bueno e com o amigo João Batista Carneiro.
Nessa época, o automobilismo brasileiro ainda engatinhava, porém o público era fiel e comparecia a todas as provas, principalmente as de longa duração.
Pouco tempo depois de começar a correr, em 1962, quando foi criada a equipe oficial da Vemag, Bird Clemente foi um dos escolhidos para defender a bandeira da marca nas pistas. O time era um dos mais bem estruturados da época e, por isso, tinha os melhores pilotos. Bird era um dos principais. Foi o primeiro competidor do Brasil a reivindicar salário e, com isso, se tornou o primeiro piloto profissional do País, estendendo o benefício para seus companheiros de pista.
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Acima, o teste de durabilidade de um Gordini promovido pela Willys, do qual Bird participou. Na sequência, o Opala com o qual o piloto bateu o recorde brasileiro de velocidade, em 197 |
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| Acima, o Willys Interlagos (no autódromo que lhe deu nome) vencedor de corridas internacionais, fato ainda inédito para um modelo brasileiro. Note como o carro fazia a curva de lado, o que era um padrão para a época. No alto à direita, Bird na Fórmula Jr. |
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