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Dezembro/2011
     
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A história de um visionário
Nos anos 60, Ari Antônio da Rocha criou um carro que mostrava a solução para o futuro do trânsito nas grandes cidades, um projeto revolucionário

Texto Rafael Poci Déa | Fotos Claudio Larangeira / arquivo pessoal

Fotos Claudio Larangeira / arquivo pessoal

ARI ANTÔNIO DA ROCHA

“A maior frustração da minha vida foi não ter conseguido fabricar o Aruanda”

Ele nega o rótulo de visionário. Mas é difícil encontrar outra palavra que resuma o trabalho de Ari Antônio da Rocha. Arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), foi o criador, nos anos 60, do Aruanda, um pequeno carro urbano que tinha tudo para revolucionar a indústria nacional, mas nunca foi produzido em série. “Certa vez, em visita à Mercedes, escutei que o Aruanda era o avô do smart”, relembra.

Tudo começou depois de uma palestra com os designers Pininfarina, Ghia e Fissore. O estudante foi desafiado pelo professor Lauro Birkholz. “Teria que encontrar um meio para que nossas vias comportassem o número cada vez maior de automóveis, sem desapropriações para alargar as ruas e avenidas”, relembra. Foi a campo pesquisar. Rocha percebeu que a maioria dos carros levava apenas uma pessoa a bordo e, em visita ao Hospital das Clínicas, constatou que, na maioria das colisões laterais, os ocupantes sofriam lesões na bacia. “Ninguém tinha feito esse estudo. Então, o Aruanda foi o primeiro carro com para-choque lateral, inspirado nos carrinhos de bate-bate”, explica.

“Não sou visionário. Apenas reuni os elementos que tinha na época e fiz o trabalho proposto”, pondera modestamente sobre seu carro que, de tão revolucionário, foi até mesmo exposto na Bienal de Design.

Fotos Claudio Larangeira / arquivo pessoal
O Aruanda exposto na I Bienal Internacional de Design, no MAM-RJ, em 1968

Em 1964, Ari “automovinho”, um apelido dado na época da faculdade, inscreveu o seu projeto no prêmio Lúcio Meira “A maioria das ideias era de carros esportivos e o Aruanda era o único fora do padrão. O desenho dele até parecia uma estufa de  ores. Ganhei só por causa do júri bastante especializado”, conta. Mario Fissore se interessou em fabricar o protótipo. Eles já haviam trabalhado juntos na época da DKW, quando Rocha era estagiário e colaborou na criação do departamento de estilo da marca. Chegava a hora de concretizar seu sonho.

Rocha embarcou para a Itália para iniciar a construção do protótipo. Antes de chegar a Turim, um estágio na Chevrolet, em 1965, o ajudou a conseguir o dinheiro necessário para se manter. A plataforma escolhida foi a do Fiat 500 Giardineira. A carroceria em aço era moldada à mão. Em dois meses, o protótipo estava pronto para ser apresentado no Salão de Turim de 1965. O motor era um bicilíndrico de 380 cm³ da MV Agusta, que tinha entre 28 cv e 30 cv. O câmbio era manual de três marchas.

 

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